quinta-feira, 12 de abril de 2012

O que fazer com o racismo?

A cada dia que passa me decepciono mais com o ser humano. Hoje encontrei um conhecido no ponto de ônibus e ele começou a desabafar sobre as atitudes do chefe. Até aí tudo bem, já que todo mundo fala mal do chefe alguma vez na vida. O problema foi o que veio depois. “Mas quer saber? Tinha que ser preto mesmo. Dá poder a um preto que você vai ver o que é bom”, atirou, convicto, o tal conhecido.

Chocada, eu queria acreditar que o rapaz estava fazendo uma brincadeira. Seria de muito mal gosto, é claro, mas, talvez, menos grave. “Você está me zoando, né?”, perguntei, atônita. O pior é que ele estava mesmo falando sério. E defendia a teoria com uma firmeza que eu nunca vi partir de um racista, já que, ultimamente, tem-se tentado disfarçar esse tipo de ponto de vista, por causa do fortalecimento da luta pelos direitos humanos e da criminalização do racismo.

Tentei demonstrar minha perplexidade diante de tal absurdo, mas não tive sucesso. Ele estava tão afundado em sua ignorância e em seu preconceito, que não conseguia perceber a gravidade do que estava fazendo. Mesmo vendo que seria em vão, tentei jogar um pouco de luz naquela mente sombria. “Mas isso é do ser humano e não só do negro.”

Ele retrucou: “Mas o preto é muito pior.” A partir desse ponto, foi impossível continuar a conversa. Fiquei paralisada na frente dele, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. Meu ônibus chegou e eu fui embora com a minha indignação. E ele ficou lá com suas certezas.

Quando cheguei em casa, lembrei dessa música do Gabriel, que eu adoro. Vale a pena ouvir e refletir. "Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços", diz Gabriel. Mestiços sim, assim como o tal conhecido.

Link do vídeo:

quinta-feira, 22 de março de 2012

O desafio de apurar uma tragédia familiar

Desde que comecei a fazer reportagem policial (há pouco mais de um mês), hoje foi a primeira vez que fiquei realmente impressionada com uma história. Um jovem de 18 anos matou a ex-namorada, de 15, e depois se matou. A cena é chocante e não me sai da memória. O peso dessa história me carrega a alma e vai ser difícil esquecer. Mas o que mais me entristece é saber que agora há uma mãe sofrendo a perda da filha e que, todas as vezes que ela olhar para aquela varanda, vai lembrar da filha morta. Difícil também é entender o motivo de tal tragédia. A vida de dois jovens encerrada por um motivo tão fútil, o fim de um relacionamento. Não sei se é possível tirar algo bom disso tudo, mas tenho certeza de que essa experiência vai me ajudar a amadurecer na profissão. Apesar da angústia, levo comigo uma lição: quando tiver uma filha, vou tentar protegê-la das garras desses homens transtornados. Eles estão soltos por aí e se disfarçam de bons-moços.