Artigo de Carlos Eduardo Pontes Publicado em O GLOBO on line em 09/10/2009
Olha o que esse cara escreveu, depois leia meu comentário abaixo e comente você também. É importante discutir isso!
Não é surpresa para ninguém a notícia de que o Brasil tem uma das maiores carga tributária do mundo, não só pelo seu percentual elevado com relação ao PIB (quase 40%), mas principalmente pela pequena reciprocidade que dá aos contribuintes com relação aos serviços básicos como Saúde , Educação, Transporte, Segurança, Habitação, dentre outros. A grande duvida que temos é: será que todo esse dinheiro arrecadado pelo governo é suficiente para atender as expectativas da sociedade? Ou embora seja suficiente ele é mal gasto, sendo boa parte dele desperdiçado com a ineficiência da máquina pública, corrupção, desvios, mensalões etc. Se por acaso estivéssemos num pais de pessoas extremamente sérias e com total eficiência da máquina pública, quanto seria nossa carga tributária para oferecer serviços com dignidade para a população?
Essa é uma dúvida que temos que esclarecer para a população. E, além disso, há uma questão ainda mais grave, que é a grande injustiça com aqueles que contribuem com essa carga tributária. Normalmente, numa civilização onde imperam os princípios da ética, da moral e dos bons costumes, aquele que cumpre com suas obrigações é geralmente gratificado. Mas aqui no Brasil a honestidade é sinônima de castigo, de desvantagem, de desestímulo.
Para se ter uma noção do que estamos falando, comece a verificar quanto custa caro ser honesto nesse pais. Imagine as seguintes situações e depois faça suas contas, certamente será um bom exercício de reflexão.
Um dos primeiros exemplos é com relação às contas das concessionárias dos serviços de luz, gás, telefone etc, ou seja, quanto você está pagando para cobrir as contas dos ladrões que utilizam os "gatos" para fornecimento desses serviços? Quanto você pagaria de juros por seus empréstimos se não houvesse os caloteiros? Quanto você paga para sustentar o sistema penitenciário ineficiente, que gera apenas um recrudescimento da violência e uma insegurança para a sociedade? Quanto o empresário honesto, cumpridor de seus deveres com o Fisco, pagaria de encargos se não houvesse tanta informalidade? Quanto a sociedade paga para sustentar a tal justiça social, cujo modelo é assistencialista, onde não há interesse em criar uma autonomia econômica das famílias?
Além disso, vivemos num pais onde alguns critérios são extremamente injustos para quem trabalha. Então vejamos: aqui no Brasil se valoriza mais o ócio do que o trabalho, isso acontece quando o trabalhador tira férias, ou seja, recebe 1/3 a mais para ficar sem fazer nada. Poderíamos usar esse dinheiro para oferecer oportunidade para aqueles que estão desempregados, estimulando o trabalho e não a preguiça.
Outra discrepância é com relação à multa de 40% sobre o saldo do FGTS quando o empregador tem que demitir um funcionário. Se você perceber, geralmente quem é mandado embora é aquele funcionário que não corresponde com suas atribuições, ou seja, não é um bom funcionário. Quando isso acontece, ele recebe 40% a mais sobre o saldo de FGTS, como "prêmio" por ser um péssimo funcionário.
Por outro lado, se temos um funcionário exemplar que, por sua capacidade, honestidade, responsabilidade, consegue um emprego melhor, esse será castigado, e não receberá nenhum valor de multa além de não receber o saldo de seu Fundo de Garantia .
Realmente não dá para entender os parâmetros que o governo usa para tornar esse país mais justo, como também quais são os estímulos para tornar a sociedade cada vez mais ética. Do jeito que estamos vivendo, certamente teremos grandes motivos para ser desonesto, caloteiro, corrupto etc.
Com esse quadro talvez seja possível entender porque estamos vivendo numa sociedade totalmente sem princípios, onde o desonesto é quem leva vantagem e aqueles que respeitam às leis são chamados de otários.
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